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quinta-feira, 21 de julho de 2011

A águia e a galinha - uma história que pode mudar o modo como você vê a vida.


A  Águia e a Galinha
 Uma metáfora da condição humana

                    Era uma vez um camponês que foi à floresta vizinha apanhar um pássaro para mantê-lo em sua casa. Conseguiu pegar um filhote de águia. Colocou-o no galinheiro junto com as galinhas. Comia milho e ração própria para galinhas. Embora a águia fosse o rei/rainha de todos os pássaros. Depois de cinco anos, este homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista. Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista:
  - Esse pássaro aí não é galinha. É uma águia.
             - De fato – disse o camponês. É águia. Mas eu criei como galinha.
 Ela não é mais uma águia. Transformou-se em galinha como as outras, apesar das asas de quase três metros de extensão.
 - Não – retrucou o naturalista. Ela é e será sempre uma águia. Pois tem um coração de águia. Este coração a fará um dia voar às alturas.
- Não, não – insistiu o camponês. Ela virou galinha e jamais voará como águia.
Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e desafiando-a disse:
- já que você de fato é uma águia,  já que você pertence ao céu e não a terra, então abra suas asas e voe!
A águia pousou sobre o braço estendido do naturalista. Olhava distraidamente ao redor. Viu as galinhas lá embaixo, ciscando grãos. E pulou para junto delas.                 
O camponês comentou: 
 -         Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha! 
 -         Não – tornou a insistir o naturalista. Ela é uma águia.  E uma águia será sempre uma águia. Vamos experimentar novamente amanhã.
                   No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia no teto da casa. Sussurrou-lhe: 
 -         Águia, já que você é uma águia, abra as suas asas e voe! 
 Mas quando a águia viu lá embaixo as galinhas, ciscando o chão, pulou e foi para junto delas. 
 O camponês sorriu e voltou à carga: 
 -         Eu lhe havia dito, ela virou galinha! 
 -                     Não –  respondeu firmemente o naturalista. Ela é águia, possuirá sempre um coração  de águia. Vamos experimentar ainda uma ultima vez. Amanhã a farei voar.  
 No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram a águia, levaram para fora da cidade, longe das casas dos homens, no alto de uma montanha. O sol nascente dourava os picos das montanhas. O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe: 
 - Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe! 
 A águia olhou ao redor. Tremia como se experimentasse nova vida. Mas não voou. Então o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, para que seus olhos pudessem encher-se da claridade solar e da vastidão do horizonte. 
 Nesse momento, ela abriu suas potentes asas, grasnou com o típico  "kau-kau" das águias e ergueu-se, soberana, sobre si mesma. E começou a voar, a voar para o alto, a voar cada vez mais para o alto. Voou... voou... até confundir-se com o azul do firmamento...

(Texto de Leonardo Boff).

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